Apesar de os esforços da democracia social terem resultado na elevação da renda do brasileiro, nem sempre este aumento se traduz em mais consumo. Isto porque os juros altos corroem a renda média do trabalhador, que em fevereiro chegou a 3.679,00, valor 14% acima da inflação em relação a dezembro de 2022, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Estudo do banco Daycoval, divulgado no início de abril, mostra que 40% desta nova renda é fisgada pelo pagamento de dívidas. Não dá nem tempo de chegar ao caixa do supermercado, por exemplo.
Usada para servir ao rentismo, a famigerada Selic, hoje em elevados 14,75% ao ano, norteia os juros dos bancos, que consomem 10,5% da renda disponível anual. É um recorde histórico desde 2005, de acordo com o Banco Central. Em dezembro de 2022, o índice era de 9,3%.
Com juros tão altos, fica difícil para o brasileiro conseguir pagar as dívidas. Atualmente, 49,9% da população adulta estava com restrição de crédito, o popular nome sujo na praça, de acordo com o Serasa Experian. O dinheiro, que deveria estar circulando, fica preso nos cofres do sistema financeiro.
Fonte: Movimento Sindical